UMA HISTÓRIA VERDADEIRA E INSPIRADORA SOBRE A LIDERANÇA IMPOSTA PELO REGIME DO MEDO E SUAS CONSEQUÊNCIAS

É vergonhoso ter que acreditar, que em pleno século XXI, em plena Era da Informação, ainda existam líderes liderando as pessoas pelo regime do medo. Não importa o tamanho da empresa ou organização, esses líderes de baixa performance, assolados pelas suas próprias decepções, frustrações e limitações, continuam, sempre, constrangendo, gritando e humilhando pessoas, e porque não, a sociedade como um todo.

Esse é o tipo de regime desprezível que deve ser, literalmente, desprezado.

É lógico que, se tratando de um país como o Brasil, o 8° país com maior número de analfabetos adultos, quase 13 milhões de analfabetos com 15 anos ou mais, segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), esse tipo de regime vem a calhar bem. Não consigo imaginar esse cenário em um país evoluído, de Primeiro Mundo, e posso falar isso com convicção porque já atuei em empresas em mais de 12 países, além, é claro, de ser conhecido e reconhecido como profundo estudioso e pesquisador da cultura organizacional.

Não que o Brasil não tenha cacife e competência para ser um país de Primeiro Mundo, mas a roubalheira é tanta que não sobram fundos para o país garantir a própria sustentabilidade. Para você ter uma ideia, não quero me estender neste assunto e nem entrar em detalhes, a corrupção no Brasil chega a R$ 70 bilhões de reais por ano. E aí: vai fazer o quê?

Mas, vamos voltar para a liderança pelo regime do medo (não que o governo da presidente Dilma Rousseff seja diferente ou indiferente se é que você me entende).

Há poucos dias tive o desprazer de conhecer um líder que era famoso na empresa, porém não por seus feitos e realizações nobres, mas pelo seu cinismo, pelo seu despreparo, pelo seu rancor, e, também, pelo seu modelo de liderança ultrapassado.

Dentro da empresa, ainda existia o regime do medo: a gritaria, as ofensas, os abusos, todo esse tormento imperava todos os dias, e o caos estava instalado na vida de cada trabalhador que doava seu tempo, sua dedicação e seu know-how. O projeto de chefe, que havia herdado a empresa do pai (vítima de um problema cardíaco), achava bonito coagir seus funcionários e explorar as fraquezas e defeitos de cada um.

Por azar, esse cara tinha assistido a minha Palestra na cidade no dia anterior, e por mais azar ainda, era um cara influente em sua cidade, e, somente por isso, teve a minha atenção. Escutei tudo, e acho que pela primeira vez na vida, falei muito pouco (risos), não exercitei o meu papel de Coach. Sinceramente, reconheci para mim mesmo que não valia a pena.

Na única vez que me dirigi a ele, pedi que me arrumasse um tempo para conversar com cada colaborador, queria entender um pouco mais da realidade daquelas pessoas e talvez ajudar. O projeto de chefe, no alto de sua ignorância, disse-me que ficaria para a próxima vez, já que o trabalho estava atrasado e que as pessoas estavam sem tempo. Este tipo de comportamento é bem típico de líderes desequilibrados, medíocres.

Deixei a empresa aproximadamente 45 minutos após entrar, decepcionado e frustrado e não imaginei o que ainda, naquele mesmo dia, aconteceria.

Peguei um táxi e fui para o hotel. Cheguei ao meu quarto quase 27 minutos depois, deixaria o hotel na próxima madrugada, ainda eram 11h45.

O telefone do meu quarto tocou e atendi. Do outro lado da linha escutei uma voz baixa, não entendi o que falava, pedi para repetir e falar mais alto. Quem era?

Não acreditei quando atendi o telefone as 12h07: Maria Marta, colaboradora antiga da empresa comandada pelo projeto de chefe, queria se encontrar comigo depois das 18h30, no hotel. E mais, ela não estaria sozinha, outros 9 colaboradores também estariam com ela. Fiquei ansioso e chocado!

Deixei agendada a reunião e fiquei a tarde inteira me perguntando: O que eles querem comigo?

Faltavam 3 minutos quando a turma apareceu no hall de entrada do hotel. Cumprimentei cada um dos colaboradores e senti uma sensação muito boa enquanto olhava para cada um deles.

Encaminhei-me para uma sala externa que estava agregada a piscina, sentei, e solicitei que me contassem o motivo daquele encontro tão urgente.

Durante mais de 4 horas conversamos abertamente sobre a vida de cada um deles e fiquei sabendo coisas que me fizeram chorar por dentro e por fora, fiquei literalmente comovido pela história dessas pessoas.

Para começar, 80% delas estavam fazendo uso de remédios tarja preta, indicados para ansiedade, depressão e insônia. 100% das pessoas já tinham começado algum tipo de tratamento psicológico e 90% delas ainda estavam em tratamento. O clima na empresa era tão pesado que, em alguns dias, havia baixa de 40% da equipe. Na verdade, a equipe nunca estava completa, constantemente algum tipo de problema emocional mudava a rotina da empresa.

Alguns colaboradores me contaram que seus familiares: esposas, maridos, filhos e outros entes próximos também estavam sendo afetados com tudo o que acontecia na empresa.

Sinceramente, nunca tinha presenciado algo desta magnitude!

Fiquei sabendo também, que o pai, que estava no leito de morte, devido a uma doença crônica e avançada, era um extraordinário ser humano, e que o filho, sempre, tratou seus colaboradores sem qualquer afeto, consideração ou respeito.

Confesso que, tomei nota de tudo o que estava acontecendo, e pedi um tempo para criar um plano de ação que pudesse transformar essa realidade: todos ficaram felizes com a minha atitude, mas eu estava bastante preocupado.

Depois de 3 semanas, mantendo contato semanal (às vezes diário) com as pessoas que me contaram suas vidas, e com alguns contatos estratégicos, consegui dobrar o projeto de chefe, e agendei a primeira semana de Coaching em Itapema, Santa Catarina.

Como ele não era morava em Santa Catarina (como muitos de meus Coachees), chegava de avião e pousava em Florianópolis, a cada 30 dias, e passava uma semana comigo evoluindo no processo de Coaching.

Enquanto isso, garantia contato com a equipe constantemente e avaliava as mudanças no ambiente e também suas mudanças de comportamento, sob a ótica de quem convivia com ele.

Confesso que não foi simples e que também não foi fácil. Na verdade, foi um dos trabalhos mais difíceis que já fiz. Tinha que manter as rédeas curtas e não podia ser muito duro nas minhas colocações. Mesmo com todas as dificuldades, valeu a pena cada segundo empreendido.

“Foram várias as vezes que eu pensei em jogar tudo para o alto, desistir e mandar o Thiago para o quinto dos infernos. Não queria assumir que estava errado e que estava morrendo a cada dia. Estava perdendo o controle da minha empresa e da minha vida. Não sei por que insisti em ser alguém tão desprezível por tanto tempo. Não sei por que escolhi fazer mal as pessoas. Graças a Deus o Thiago caiu na minha vida, graças a Deus os meus amigos funcionários acreditaram que podiam me mudar. Graças a Deus ninguém me abandonou. Aprendi durante o processo de Coaching a transformar muros em pontes e não ficar lamentando o passado, ao contrário, aprendi a progredir com os erros e ajudar outras pessoas que estão passando pelo que eu passei. Meu nome é Marcos Medeiros e eu sou um ser humano muito melhor a cada dia.”

O Marcos abriu a mente para um mundo de aprendizados e evoluiu.

Hoje, seus colaboradores tem orgulho do líder que eles têm. Sua empresa está crescendo e ganhando mercado a cada dia. O alto índice de rotatividade da empresa agora não existe mais, o que existe é uma fila de espera enorme com currículos de pessoas que sonham em trabalhar lá. Ronaldo Medeiros, seu pai e fundador do negócio, faleceu em 13 de setembro de 2015 e em suas últimas palavras, disse-lhe: “Cuide das pessoas que cuidam da nossa empresa”.

Marcos garante que nunca se sentiu tão completo, feliz e realizado…

Amor e Sabedoria.

Thiago Tombini

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